Fotografia Mobile 17 - Uso do modo manual do celular - Guia definitivo


Olá entusiasta em fotografia! Tudo bem com você? No decorrer desses meses nos dedicando e postando alguns temas sobre fotografia de celular, percebi que a maior dúvida que as pessoas tem no manuseio do aparelho celular como equipamento de fotografia está no uso do modo manual. Já falamos aqui no blog sobre ISO e Sobre velocidade e até demos exemplo de como utilizar esses dois parâmetros para fazermos nossas fotografias (se você não leu ainda, recomendo que leia!!!!). No post de hoje vamos voltar a esse assunto, entretanto, vamos tentar abordar o tema sobre uma ótica um pouco mais prática e menos teórica. É de suma importância que, assim que você acabar de ler esse texto, veja o vídeo no final dessa postagem pois nele demonstraremos na prática o que estamos descrevendo aqui. Sem mais delongas, vamos ao assunto.

Como foi visto no post Os pilares da fotografia aplicados ao aparelho celular, a base da fotografia, seja ela em câmera ou aparelhos celulares, consiste em usar os parâmetros da Abertura do Diafragma, Velocidade do Obturador e Sensibilidade de ISO, juntos para fazer nossas fotografias. (O flash é um parâmetro a parte e será tratado em outro momento). Nas câmeras com configurações avançadas, a abertura do diafragma é variável e pode ser configurado antes da fotografia. No aparelho celular o Diafragma é fixo, não havendo qualquer controle do usuário sobre ele. (Se a abertura do seu celular é de 1.7, ela sempre será 1.7). É por isso que a velocidade de obturador do aparelho celular, muitas vezes, é muito maior que a velocidade de obturador de uma câmera fotográfica. 
Se não temos controle sobre o diafragma, temos que compensar na sensibilidade de ISO e na Velocidade do Obturador e pra isso, usaremos o fotômetro presente em nossos aparelhos celulares. 


O USO DO FOTOMETRO NA PRÁTICA

Para essa explicação, vamos tomar como base a regra geral do fotômetro (sempre zerar o fotômetro) mas já adianto que, depois que você entender a lógica de funcionamento, não precisará ficar preso a isso. 
Para utilizar essa regra devemos partir da intenção do fotógrafo no momento do click e do ambiente que ele está. Vamos tomar como exemplo a fotografia de uma lâmpada. Se a sua intenção for fotografar o ambiente que a lâmpada ilumina, possivelmente terá que usar um ISO mais alto ou uma velocidade mais baixa para conseguir. Se a intenção for fotografar o filamento no centro da lâmpada, fatalmente, usaremos um ISO menor e/ou uma velocidade maior.  
Aqui, no caso da velocidade, temos uma outra regra que interfere diretamente e diz respeito à velocidade mínima que podemos usar, com o celular na mão, para que a foto não trema. Segundo essa regra, a velocidade mínima que eu posso usar com a câmera/celular na mão é igual a duas vezes o valor nominal da milimetragem da minha lente. Exemplo: A câmera principal do meu celular tem uma distância focal nominal de 25 mm, sendo assim a velocidade mínima que eu posso usar é 1/50. (sim, você leu certo, diferentemente da astrofotografia, aqui vamos trabalhar com velocidades acima de 1s já que a intenção, nesse caso, e não tremer). Essa regra não é fixa e a velocidade mínima pode variar de pessoa para pessoa uma vez que o estado físico também influenciará na estabilidade da câmera. Recomendo que tome essa regra como parâmetro inicial e faça os testes até achar a sua velocidade mínima. Mas, por que essa velocidade mínima é importante? Por que precisaremos dela para definirmos o parâmetro inicial da nossa fotografia e usar o fotômetro para configurar a outra variável. (Até que enfim chegamos à parte prática!!!!!) Como fazer?
Tomando por referência a foto da lâmpada, suponhamos que a intenção seja fotografar o filamento interno dela, sem pegar muito do ambiente. O que faremos é fotometrar o meio da lâmpada. (a fotometragem, no caso da maioria das câmeras, incluindo os aparelhos celulares, ocorre juntamente com o foco, caso esteja utilizando ele no automático. Se utilizar o foco manual, no caso do celular, terá que clicar na tela, no ponto onde pretende tomar como referência para iluminação da fotografia). Definido o ponto, passaremos a fazer as configurações necessárias pra conseguirmos uma foto do jeito que queremos. Aqui temos outro segredo da fotografia que interfere diretamente na forma como nosso celular interpreta a luz. Trata-se dos modos de fotometragem. Já falamos sobre eles no post 5 dicas para fotografar a lua com o aparelho celular, (se você não viu, recomendo que leia também. Tem ótimas dicas lá) mas aqui vamos aprofundar um pouco mais no assunto.

a) MODOS DE FOTOMETRAGEM


Conforme vimos na postagem mencionada, existem três tipos de modos de fotometragem (os nomes podem variar, dependendo da fabricante do celular ou câmera, entretanto a função e forma como funcionam é a mesma):
1- modo matricial ou médio: esse modo mede toda a luz da cena mostrada no visor da câmera ou do Aparelho celular. É muito utilizado em fotos de paisagens pois permite um bom equilíbrio entre altas luzes e sombras. Não é recomendável em situações de alto contraste de cores, pois esse modo não sabe a qual tipo de situação dar mais importância: se às sombras ou às luzes. 
2 - central ponderada ou média central: esse modo é muito utilizado em fotografias de pessoas ou fotos de moda pois permite dar maior enfase ao elemento focado de nossas fotografias (vinhetas naturais) pois toma como base o meio do quadro para fazer a fotometria. Traduzindo em números, segundo alguns sites especializados, a fotometragem é feita dividindo-se a foto em duas áreas sendo que 70% da informação luminosa é captada no centro da imagem e 30% nos cantos do quadro.
3 - pontual:  esse modo é muito utilizado em fotos de elementos em destaque (como o caso do filamento da lâmpada) esquecendo todo o resto do quadro. Ele capta e lê somente o ponto de foco descartando a fotometria do restante da imagem. 
Existe ainda um quarto modo de fotometria chamado de medição parcial, que funciona de forma semelhante ao modo pontual, entretanto ele capta uma área maior (10% a 15%) e é comum nas câmeras da Canon. Em aparelhos celulares eu desconheço algum que tenha esse tipo de medição.

Retomando nosso caso da lampada, para fazermos essa foto utilizaremos o modo de medição central ponderado pois queremos que apareça um pouco do vidro do bulbo. Caso queira somente o filamento, utilize o modo pontual. Escolhido o modo de medição e o ponto de referência, a primeira coisa que faremos é baixar o ISO para o mínimo que nosso celular permitir. Feito isso, começamos a mexer na velocidade do obturador até que a régua do fotômetro chegue a zero. e assim conseguiremos uma ótima foto. Caso esteja com o aparelho na mão e a velocidade fique abaixo da sua velocidade mínima para que a foto não trema, suba o ISO um pouco para ganhar pontos de exposição (o fotômetro vai sair de zero e pender para o lado positivo) e, consequentemente, utilizá-los para aumentar sua velocidade (voltando o fotometro a zero). Como você pode perceber, o fotômetro atuará como uma balança, marcando o quanto você poderá mexer nas configurações para conseguir uma exposição ideal. Se você sobe o ISO para ganhar pontos de exposição, você pode aumentar a velocidade para voltar a equilibrar a balança. Se você diminui a velocidade para ganhar pontos de exposição, você pode diminuir o ISO para equilibrar novamente a balança e vice e versa. O importante aqui é entender que, quanto maior o ISO mais luz e,  no caso da velocidade, essa regra atua de forma contrária, quanto maior a velocidade, menos luz o sensor capta. Entendendo essa lógica, você dominará com perfeição o modo manual, do seu aparelho celular. Novamente insisto, não deixe de ver o vídeo abaixo para facilitar o entendimento do assunto.


E aí, gostou das dicas? Tem algum tema que gostaria de ver? Deixe nos comentários. Um abraço, fique com DEUS e até o próximo post.

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